27.04.2017
Sergipe tem o 2º menor registro de homicídios do Nordeste

Sergipe tem o 2º menor registro de homicídios do Nordeste

Estudo desenvolvido pelo um professor doutor da UFS tem como base dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil no período de 2006 a 2011.

ASN

A avaliação foi feita pelo professor doutor da Universidade Federal de Sergipe (Ufs) e estudioso de economia do crime, Marco Antônio Jorge. A constatação foi feita com base nos dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (Datasus) no período de 2006 a 2011.

Os números apontam que em Sergipe foram registrados no período destacado 3.789 homicídios, ficando apenas atrás do estado do Piauí que computou no mesmo período 2.519 casos. O estado da Bahia registrou 28.254 homicídios, ficando com a pior taxa da região e Alagoas, que também faz divisa com Sergipe, contabilizou 11.569 homicídios.

Outro dado destacado pelo professor Marco diz respeito à classificação de eventos por intenção indeterminada. O estudioso diz que de 2006 a 2011 Sergipe vem classificando cada vez melhor os eventos indeterminados, ou seja, casos que dão entrada no Instituto Médico Legal (IML) e não são classificados como homicídio e nem como suicídio.

“Avaliamos o número de eventos de intenção indeterminada como um reflexo da qualidade dos dados. Quando chega um corpo no IML o médico tem que preencher a certidão de óbito e vai atribuir a morte a três possíveis classificações: homicídio, acidente e suicídio. Quando não é capaz de classificar nas três categorias anteriores o caso é contabilizado como intenção indeterminada”, explicou o estudioso.

Em 2006, o estado de Sergipe, segundo o Datasus, registrou um percentual de 20,44% de casos classificados como eventos de intenção indeterminada. Já em 2011 o percentual registrado em Sergipe caiu para 7,04%.

“Quando olhamos para Sergipe percebemos que a classificação vem melhorando, pois os números estão muito abaixo em relação ao Brasil, que apresentou em 2011 uma média de 19,83% na classificação de eventos de intenção indeterminada”, pontuou Marco.

Para o secretário adjunto da segurança pública de Sergipe, João Batista Santos Júnior, Sergipe vem se notabilizando junto ao Ministério da Justiça (MJ) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) por conta da organização e o cuidado com seus dados estatísticos.

“Entendemos que para termos um planejamento eficaz e uma estratégia em segurança pública é preciso trabalharmos com números fidedignos e mais próximo da realidade. Hoje Sergipe está no melhor grau de avaliação do MJ e por conta disso estamos recebendo grandes investimentos do Governo Federal”, salientou Batista.

Com relação ao registro de homicídios em Sergipe destacada pelo professor Marco Antônio no período de 2006 a 2011, João Batista afirma que apesar do Estado está com o segundo menor registro da região Nordeste os crimes de homicídios ainda representam uma grande preocupação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE).

“O fato de estarmos com um dos menores registros de homicídios da região não tira nossa preocupação, pois o crime de homicídio vem crescendo muito no Nordeste. Para isso, estamos centrados no combate ao tráfico de drogas e na apreensão de armas de fogo, pois são práticas criminosas que fomentam os assassinatos. Além disso, apesar da limitação de efetivo, estamos intensificando o trabalho de policiamento ostensivo”, explicou Batista.

IPEA

Texto publicado no início da agosto deste ano pelo estudioso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, aponta que Sergipe teve no período de 1996 a 2010 uma redução no percentual de aumento de registros de homicídios.

Anteriormente foi divulgado que o Estado apresentou um aumento de 127,7% no número de homicídios quando na verdade o percentual no período foi de apenas 4,5%. Outro estado que teve seus números corrigidos foi o do Rio Grande do Norte que caiu de 176,6% para 40,1%.

Por outro lado, o estudioso afirma em seu texto que em alguns Estados houve um aumento no registro de mortes violentas cuja intenção não foi determinada. O fenômeno foi observado, por exemplo, no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Roraima, Minas Gerais e São Paulo.

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